sábado, setembro 16, 2017

Diversos

Os países da América Latina têm um passado não escrito, um passado cujos principais protagonistas foram os povos originários que habitavam o continente desde tempos imemoriais e que deixaram para as futuras gerações um enorme legado cultural que ao longo do tempo e apesar das adversidades ainda hoje perdura. O idioma e as costumes ancestrais, os mitos e as histórias que foram contadas pelos avós dos avós continuam vivos em nós e continuarão vivos nos nossos filhos.


Há cinco meses atrás eu não tinha uma perspectiva muito clara de como é que as culturas estrangeiras veem os povos indígenas e os países considerados “em desenvolvimento”. A minha percepção estava focada apenas num ângulo e a minha curiosidade por compreender algo que não conhecia foi o que me empurrou a fazer esta viagem. Um projecto do Serviço Voluntário Europeu em Portugal foi a chave para lográ-lo e este é sem dúvida um país multicultural que abre as suas portas a milheiros de pessoas de todo o mundo: viageiros de passo, turistas, migrantes e pessoas que por diferentes motivos chegam a este formoso lugar da Europa. As oportunidades para criar conexões inimagináveis entre pessoas tão diversas e com histórias tão diferentes são tão grandes que conseguir perceber completamente cada história, cada pessoa, seria impossível. Existem cá habitantes de países remotos e culturas desconhecidas das que pouco ou nada se sabe nos países mais “desenvolvidos”. Existe também, portanto, uma falta de informação sobre esses assuntos que se traduz na adopção de estereótipos para referir-se a pessoas que chegam de países de África, Ásia e América Latina. E este fenómeno não acontece apenas em Portugal mas em todos os países do mundo em diferentes contextos e é sempre o forâneo, o desconhecido, aquel que tem outros hábitos ou formas de vida o que irá ter uma etiqueta colada no rosto. Pergunto-me, então, porquê não fazemos nada para acabar com este problema se a solução poderia ser muito simples.

Após uma longa luta de mais de 500 anos contra a aculturação, a injustiça e a discriminação, os movimentos indígenas fortalecem cada dia mais as suas raízes para poder afrontar estes conflitos e para ter um lugar importante nos processos sociais e culturais de cada país, evitando a exclusão e fomentando a interacção com outros sectores sociais, para conseguir assim uma visão mais ampla no contexto do mundo globalizado em que vivemos sem perder a essência que nos caracteriza e o valor do auto-reconhecimento.


O poder da comunicação, o acesso à informação e a empatia são a chave para deixar atrás os prejuízos culturais que só criam muros de ignorância entre as pessoas e nos impiden compreender que os estereótipos que nos etiquetam são apenas invenções duma cultura dominante obsoleta. Deveríamos melhorar a nossa interação numa comunidade mais diversa porque é através das pessoas que podemos conhecer distintas realidades sem necessidade de viajar e também aceitar que todos nalgum momento sentir-nos-emos desconhecidos ou foráneos quando estamos longe de casa.

sexta-feira, setembro 15, 2017

Era uma vez...

Toda boa história começa com um “Era uma vez...” e esta é uma dessas boas histórias que fala duma rapariga que decidiu ir explorar o mundo sozinha. Uma rapariga que ainda com medo do desconhecido pegou na sua mala e que com poucas roupas e muitas emoções foi viver para outro continente para descobrir e viver novas experiências.



Essa rapariga, sim, sou eu, a Pierina, e agora, alguns meses após essa decisão, tenho a sorte de ter vivido momentos incríveis. Agora sinto que vivi em Portugal o tempo suficiente como para dizer que voltando para o Perú estarei a deixar cá a minha casa e a minha segunda família. Desde o mesmo momento em que entrei no avião para Portugal o SVE já estava a fazer mudanças em mim e durante estes meses aprendi a ser mais paciente e a adaptar-me às diferentes situações e realidades em cada um dos país que percorri e, especialmente, aprendi a colocar a lógica à frente dos meus nervos para encontrar soluções e desenrascar-me. O facto de eu ter perdido um dos voos que me trouxe a Portugal fez com que tivesse melhorado (e muito) as minhas habilidades de comunicação em língua estrangeira e até na língua universal de gestos e sinais.

Com o passar do tempo acabei por sentir-me uma pessoa melhor, capaz de enfrentar melhor diferentes situações, aprendendo a aprender e a falar cada vez um pouco melhor o Português. Já consegui falar em nível básico mas de forma muito confiante e asertiva, cantar em nível intermédio e, acima de tudo, perceber tudo, tudo, tudo! Lentamente consegui que as minhas ideias e os meus pensamentos estivessem melhor comunicados em diferentes contextos, sem medo, sem limites e sem barreiras. Também até já consegui comunicar sem palavras com pessoas que não falavam Inglês e tem corrido muito bem!

Gostei (e ainda gosto) de tudo: do meu quarto, do meu bairro em São João do Estoril, dos meus novos amigos, do meu trabalho, do percurso de comboio com vista para o mar, do som do vento, das pequenas conversas com estranhos nas minhas viagens dentro e fora de Portugal, das pessoas amigáveis. Nunca antes teria pensado que puidesse gostar tanto de estar sozinha e aprendi também a desfrutar mais do meu próprio tempo.


Durante estes cinco meses de aventura tive a oportunidade de conhecer realidades diametralmente opostas à minha, países cujas realidades eu conhecia apenas através do telejornal. Aqui tenho ajudado e participado em actividades nas que conheci pessoas incríveis, que me serviram para saber apreciar o trabalho em equipa e para valorar o diálogo. Momentos óptimos para ganhar mais confiança e poder lidar melhor com a comunicação em Inglês, para ser mais criativa em actividades que conseguiram abrir-me a mente e o espírito.



Acontece que nem sempre nos encontramos com belos momentos. Pode ser que tenhamos medo e que não nos atrevamos a dar um primeiro passo, mas ainda com a incerteza de como é que um projecto de SVE vai correr eu faria-o sem pensar duas vezes para tirar proveito da grande oportunidade que ele significa. E porque, afinal, todos estamos feitos das histórias que vivimos.

"No final, não importa quantas respirações uma pessoa toma, mas quantos momentos tem de tirar o fôlego"

segunda-feira, agosto 07, 2017

Dinamarca em 366 dias by Nila Amado

Atenção: Esta história é completamente real, mas devido à imaginação fértil da “escritora” a mesma é narrada de forma criativa (ou pelo menos essa era a ideia) ;)

29 de Feveiro de 2016
Arrumar as malas, abraçar as memórias dos que me são mais caros, trancar a porta, entrar com confiança no carro, ligar o rádio e sintonizar a RDP África (estão de rádio), ir para o terminal 2 do Aeroporto, dizer obrigada ao Pai e levantar voo.
Destino: um novo capítulo que terá exatamente a duração de 365 dias.

1 a 31 de Março de 2016
Bem-vinda a uma nova vida, com novas pessoas, culturas e línguas. Assim começou um novo capíulo da minha (ainda) curta história de 24 anos – Copenhaga.
Dizem que a primeira vez jamais se esquece, verdade? Eu posso bem corroborar essa tese. O primeiro mês foi intenso, tanto para aprender e compreender a tantos níveis:
Acomodação: Aprender a dividir a casa com uma Argentina que morava na Alemanha e com uma Grega que fala Francês!
Trabalho: Aprender como apanhar o comboio de Lyngby (localidade onde vivia) para a estação central de Copenhaga e não me perder pelo caminho. E saber como conviver num escritório multicultural com Dinamarqueses; Eslovenas; Búlgaros; Franceses; Argentina; Grega; Australiana; Croata; Sueca e mais Dinamarqueses!
Língua: Se não perguntares ninguém te vai dizer, que afinal o que o maquinista disse no intercomunicador, é que há atrasos nos comboios devido a problemas de sinalização e que o comboio afinal já não vai para Lyngby, mas sim para Svanemøllen e que de lá tens que apanhar um autocarro que fará a ligação até Lyngby.
On-arrival training: Oportunidade de conhecer outros voluntários de diversos pontos da Europa (Alemanha; Polónia; Espanha; Roménia; França; Holanda; Grécia; Áustria; Itália; Ucrânia; Rússia; Georgia; Croácia e claro a minha colega Argentina – que nós adoptamos como sendo Europeia devido ao seu carinho especial por este belo continente) que chegaram mais ou menos ao mesmo tempo que nós e que também estão a tentar processar toda a informação acerca desta nova experiência de vida na Dinamarca.

1 a 30 de Abril de 2016
Ufa, um mês já se passou, sobrevivi! Mas e o frio que se faz sentir lá fora no início de Abril? Felizmente já vamos quase no fim do mês e as flores já vão brotando com uma cor tão viva que mais parece que foram pintadas à mão.
Como eu gosto de caminhar pela rua mais perfeita da Dinamarca. Perto do nosso Castelo (sim porque eu vivo num castelo – Lyngby Castle – como é carinhosamente apelidado o nosso apartamento que já acolheu várias gerações de voluntários) existe uma rua, que mais faz lembrar as ruas das vivendas americanas que comumente vemos nos filmes de final de tarde. E é por lá que passo todos os dias para ir até à estação de comboios, a minha rua predilecta “a rua das rosas.”
Como faz toda a diferença o sol e quão bom é sair à rua! Sabe tão bem deitar na relva dos “Jardins do Rei” em Nørreport, ficar à conversa com amigos e rir às gargalhadas das piadas que vão preenchendo o tempo. E quando o sol vai-se despedindo é hora de caminhar até ao centro da cidade. Entrar pela Strøget a rua pedonal, estilo rua Augusta, cheia de turistas a andar como formigas de um lado para o
outro e a barafustar em diferentes idiomas. Entrar num pub Irlandês e ficar mais um bom bocado à conversa, até chegar a hora de apanhar o comboio de volta a casa.

1 a 31 de Maio de 2016
Maio chega depressa porque quero mais dias de sol por favor.
Abril deixou-me um pouco desapontada, a confundir-me todos os dias. Ora de manhã faz sol e ao meio da tarde chove e vice-versa.
Será que te podes decidir Ó tempo? Ou é um dia de sol ou um dia de chuva, os dois é que não!
Era bom se fosse assim tão fácil, mas a verdade é que por mais que tenha pedido, mesmo implorado ele (o tempo) nunca me ouviu e fez exatamente o que lhe deu na gana. Obrigou-me assim, a habituar-me a mudanças de temperaturas repentinas e a trazer sempre comigo roupa para um dia quente e frio.
Porque uma coisa é certa em Copenhaga: o tempo é a coisa mais incerta de sempre. Por isso é que eu e uns outros quantos chamamos-lhe “tempo esquizofrénico”, mas por favor não lhem contem, é segredo.
Mas finalmente tu chegaste Maio. Que delícia sentir os teus raios de sol, a príncipio tímidos mas à medida que os dias foram passando, deixaste a timidez de lado e nos presenteaste com um dos melhores meses de Maio de que há memória na Dinamarca.
Os teus raios alegraram-me e deram-me a energia que precisei para dar conta do trabalho que começava a acumular na minha secretária e as horas à frente do computador começaram a passar a correr.
No escritório há sempre muito que fazer, especialmente quando temos a a todo o vapor. Há que trabalhar para promover uma vida mais fisicamente ativa em toda a Europa e além fronteiras.
E qual o melhor lugar para ser o centro da Campanha, senão um país tão ativo quanto a Dinamarca? Juro que nunca tinha visto pessoas tão ativas como os dinamarqueses. É incrível ver que eles não permitem que o tempo os faça parar. Faça chuva ou faça sol a prática desportiva faz parte do seu ADN.



1 a 30 de Junho de 2016
Junho começou bem, quente e convidativo. Tão convidativo que até houve tempo de mergulhar (no nadar) no mar salgado do Báltico.
Quem diria? Nunca pensei que pudesse ter um verão tão bom na Dinamarca a ponto de desfrutar de um dia de praia. A sério, tenho de repetir, um dia de praia em Copenhaga com direito a chuva miudinha, mas passageira.
E adivinhem lá? A água é tão ou menos gelada que em Sesimbra ou na Costa da Caparica. Foi quase como se estivesse em casa, primeiros passos na água a tremer por todo lado e depois do primeiro mergulho, afinal não é assim tão mau (desde que haja sol é claro!).
Mas falta o cheiro a mar, falta o cheiro a sal, mas ao menos a água é tão límpida que se consegue ver o fundo. Enfim, não se pode ter tudo não é mesmo?
Sorte minha, ainda o mês não ía a meio e rumamos a Barcelona, para nos encontrarmos e sermos inspirados pela ávida determinação de um grupo de jovens Europeus com a chama da mudança.
Jovens determinados a desenvolver projectos sociais, com a capacidade de estimular e promover um estilo de vida mais ativo nas suas comunidades. Eles eram sem dúvida alguma, os verdadeiros Change-makers Europeus. Quisera eu, com aquela idade fazer parte de um grupo de jovens tão determinados e conscientes dos problemas ao seu redor. Bem, o bom é que nunca é tarde e sortuda sou eu de estar a testemunhar algo deste género.
E assim, cheia de inspiração voltei a Copenhaga. Estive tão perto de Portugal, mas ainda assim tão distante, mas tranquilo noutra altura voltarei, agora vou rumo à minha nova casa. Sim, é estranho dizer casa, mas a verdade é que após 4 meses Copenhaga já começa a saber a casa.

1 a 31 de Julho de 2016
Bolas, quando é que acabam todas estas iniciativas? Tanto que fazer, ainda tanto por fazer!
Eu vim para aqui para trabalhar e o meu lema é: dar o meu melhor e fazer o melhor que sei. Vá, agora respira fundo, medita, encontra a tua motivação e segue em frente.
A sério, a vida é uma cena do outro mundo, num momento queremos tanto, no outro já não queremos saber e a vontade ficar a vaguear.
Será que é isto mesmo que eu quero? Será que eu gosto de viver aqui? Será que faço parte da minha equipa? Será que as pessoas gostam de mim? Será que sou capaz de levar isto avante?
Porque é que o dinamarquês é tão díficil? Não podiam falar uma línga mais fácil? Porque é que parece que sou invísivel neste país? Ainda ninguém viu que tenho cor, sou Negra!

Porque é que os Dinamarqueses são tão cordiais, mas ao mesmo tempo tão indiferentes? Porque é que só tenho amigos internacionais? Eu moro na Dinamarca não na “Internacionalândia”! Devia ter mais amigos “nativos” não?
Não me apetece falar, não quero sair, não quero estar muito envolvida. Preciso do meu espaço, do meu tempo, da minha vida de volta. Preciso sair desta bolha que se chama voluntaridado! Já falta pouco daqui a mais ou menos 6 meses estou de volta a casa.
Okay, tiveste o teu momento de “fanicar”, mas está na hora de encontrares o teu balanço.
Estás na Dinamarca! Acorda quando é que vais ter uma oportunidade destas outra vez? Sim, tens razão, chega de reclamar e faz-te à vida. Agarra a tua garra “Africanopeia” e segue em frente, vais conseguir. Afinal se fosse tudo fácil, não tinha a mesma graça não é mesmo?
Depois da tempestade vem a bonança, felizmente fui capaz de encontrar o meu balanço novamente no meio da tempestade.
No meu caso, o facto de ter encontrado uma Igreja com a qual me identifiquei e cuja visão vai de encontro aos meus valores, foi determinante.
Trouxe-me mais vida, a vida que sentia falta e que deixei em Portugal. Sendo eu Cristã Envagélica, a Igreja é crucial na minha vida e o voluntariado que faço nesta com as crianças é algo insubstituível.
Nos momentos mais desafiantes, a Igreja, através de Jesus e da palavra de Deus é a minha rocha. E sorte tive eu de ter encontrado a Hillsong Church, poucos meses depois de ter cá chegado, e ter começado a frequentar e a envolver-me mais na Igreja. E por conseguinte, também no Ministério Infantil. Tudo acontece por um motivo, eu acredito que sim. Logo, é bastante importante encontrarmos o nosso ponto de equílibrio (seja ele qual for) no meio da adversidade.

1 a 31 de Agosto de 2016
Quão bom que é ver caras conhecidas hã? Agosto, meu querido mês de Agosto trouxeste-me o meu irmão, o primogénito e o meu grande amigo.
A família é um dos pontos basilares na nossa vida e o facto de ter tido o previlégio de receber a visita do meu irmão mais velho, ainda que por um período tão curto, trouxe-me uma lufada de ar fresco.
Trouxe-me o português. Ó meu Deus, como senti falta de falar essa língua tão bela. Sem sombra de dúvidas, o português é a língua do meu coração e nada se compara a sua melodia. Que saudades tinha eu dela e nem sequer sabia.
Mas o mês ainda vai a meio e ainda há linhas por escrever: próxima paragem Aarhus. Enquanto voluntária na ISCA fui presenteada com diversas experiências e uma delas foi a viagem de team building na segunda maior cidade da Dinamarca, no meio de Jutland, como é chamada a parte continental do país, sendo que Copenhaga se encontra na parte insular.
Engraçado, em Portugal eu vivia na parte continental, agora estou a experienciar o oposto, sabe bem mudar de perspectivas!
Voltando a Aarhus, foi nesta cidade acolhedora e com algumas colinas, onde tive a oportunidade de fazer parte de uma das iniciativas que a NowWeMOVE promove o NowWeBike. Esta consiste num evento cujo objetivo é sensibilizar e promover a importância da prática desportiva. Para tal, foi designada uma equipa com 4 ciclistas turcos, que durante 30 dias percorreram uma rota em bicicleta de Copenhaga até Viena, passando por mais de 8 países na sua jornada.
Portanto, enquanto parte do staff de organização, não podiamos perder a ocasião de apoiá-los na passagem por Aarhus em direcção à Alemanha.
E assim foi, de mala e cuia todo o staff da ISCA viajou de comboio para apoiar a nossa equipa de ciclistas e estreitar os laços entre nós através desta atividade de team building.

1 a 30 de Setembro de 2016
Setembro é o tão conhecido mês do início das aulas, para uns um alívio, para outros uma seca.
Para mim, enquanto voluntária, Setembro não será uma coisa nem outra, verdade seja dita este é um dos meses mais ativos que já vivi em Copenhaga.
Isto porque, este é o ponto alto das iniciativas promovidas pela NowWeMOVE e eu como a coordenadora de uma delas “European Fitness Day” não tenho mãos a medir.
Desde telefonemas a potenciais parceiros, emails a associados, envio de material a participantes, a convites a entidades para promoverem o evento, o meu trabalho no escritório estava a todo o vapor.
Mas, no meio de tanta agitação, uma vez mais tive a oportunidade de viajar, desta vez para “Midjutland”, a parte central continental da Dinamarca, para uma pequena localidade chamada Silkeborg com a minha colega Argentina.

A nossa viagem teve como objetivo representar a ISCA e promover o evento oficial de abertura da Semana Europeia do Desporto promovido pela União Europeia, o “FlashMOVE”.
A viagem em si foi uma experiência bastante rica, na qual nos deu a conhecer melhor o conceito de Høje Skole Dinamarquês. Bem como, nos abrir os olhos para a constatação de que, embora os Dinamarqueses dominem o inglês quase de forma nata, ainda assim nem todas as pessoas, especialmente em zonas mais rurais fala fluentemente inglês. O que reforçou em mim, ainda mais a necessidade de começar aprender (nem que seja a um nível básico) o dinamarquês e me atrever a comunicar neste idioma completamente distinto do português.
E claro, esta curta viagem também nos proporcionou tempo para absorver e contemplar a paisagem rural da natureza dinamarquesa.


1 a 31 de Outubro de 2016
E porque a sorte não é egoísta, ela vem sempre aos pares, pelo menos eu gosto de pensar assim.
Outubro já chegou, bora lá fazer as malas outra vez, e desta vez a paragem é a Hungria!
As três voluntárias escolhidas: Portuguesa, Grega e Eslovena, lá fomos nós de Copenhaga a Olso e desta última cidade diretamente para Budapeste. Mais uma vez fomos ao encontro de agentes de mudança Europeus, neste caso em particular o tópico era a Educação através do Desporto.
Hospedados num complexo hoteleiro com acesso a instalações desportivas nos arredores de Budapeste, foi lá que o grupo com cerca de 30 pessoas de diferentes países Europeus, incluíndo Portugal (e não, eu não era a representante de Portugal, pois eu fui como representante da Dinamarca) se reuniu. Este encontro teve como objetivo debater e desenvolver os primeiros passos do que poderá vir a ser uma futura parceria num projecto Europeu para promover esta temática.
Durante essa semana tive a chance não só de conhecer melhor cada participante e as suas respectivas organizações, pois cada um de nós foi incubido de apresentar a sua orgnização e promover um momento de atividade física, como apreciar algumas iguarias que estes trouxeram.
E claro está, se temos Portugueses no grupo, os esteriótipos prelavecem, e não é que os Portugueses foram mesmo os últimos a chegar? E que também trouxeram as melhores iguarias? Que saudades do nosso delicioso pão alentejano, atum em conserva, bacalhau, azeite e chocolates Regina!

1 a 30 de Novembro de 2016
Na verdade parece que a minha maré de sorte não pará em Budapeste, e desta vez a paragem é Londres!
Após meses a coordenar o “European Fitness Day”, chegou o momento de apresentar os resultados, recolher o feedback dos parceiros e começar a delinear os passos para o próximo ano. Os nervos estão à flor da minha pele, literalmente.
É que esta viagem é a minha prova dos nove, porque tenho de fazer a apresentação dos resultados do evento e como se não bastasse, tenho de os fazer em inglês!?
Cheguei mais cedo ao escritório onde terá lugar a reunião, preparo meticulosamente a sala, dou-lhe um toque profissional, preparo o computador, projector e a apresentação. Tudo está pronto, os participantes começam a chegar e são recebidos com um almoço leve e em seguida após um momento de convívio chegou a hora da verdade.
A directora geral da campanha faz uma breve introdução e passa-me a palavra.
A minha garganta esta seca mas as palavras saíem à velocidade da luz!
Impressionante, já me dizia o meu professor de Laboratório de Comunicação Interpessoal da ESCS: A Nila é uma boa comunicadora, mas não é eficaz, porque fala muito rápido. Jesus, socorro! Eu preciso de respirar enquanto falo (e eu respiro, mas as pessoas pensam que não, talvez precise de respirar ainda mais devagar). Enfim, ninguém é perfeito, é por isso que uso o meu sinal “estou em construção”.
A reunião termina e claro que os comentários e reparos à minha apresentação são precisamente ao facto de falar muito rápido. Definitvamente isto é algo no qual tenho que continuar trabalhar, não posso terminar este voluntariado sem alcançar esse objetivo.

1 a 31 de Dezembro de 2016
Novembro já lá vai, está na hora de recuperar forças e energias com umas boas e merecidas férias. Mas não antes de fazer uma última viagem de trabalho e desta vez advinhem lá para onde?
Aterrei no dia 4 de Dezembro cerca das 16h00 numa das mais belas capitais da Europa: Lisboa menina e moça!
À minha espera estava o então novo Coordenador da NowWeMOVE em Portugal, que me levou ao encontro da Directora Geral da NowWeMOVE, que se dirigiu de propósito a Portugal pela primeira vez para se reunir com a Direção do INATEL, para oficializar a parceria entre esta e a ISCA.
Ao todo esta viagem teve duração de cerca de 5 dias, onde não só nos reunimos com o INATEL, bem como com outras entidades em Lisboa, Porto e Gondomar.
Esta foi a primeira vez que fiz um “intrarail” com dois Portugueses (membros do INATEL) e dois Búlgaros (Directora Geral da NowWeMOVE e o seu companheiro).
Foi de facto uma viagem memorável, na qual nós como anfitriões os levamos a conhecer Lisboa, Cascais, Oeiras, Porto, Gondomar, Óbidos, Aveiro e ainda a bela vila de Sintra.
Depois de terminada esta semana de reuniões e encontros é tempo de descanso. Até Janeiro!

1 a 31 de Janeiro de 2017
De volta a Copenhaga, foi quase um mês em casa a reconectar com amigos e a passar tempo com a família.
Foi também tempo de reflexão, decisão. E agora para onde seguir? Voltar ou ficar? Estas foram a perguntas que eu levei comigo para Lisboa e as respostas que trouxe para Copenhaga.
Em Portugal eu tenho o que preciso e Lisboa será sempre a minha casa, mas eu sou cidadã do mundo.
Está na minha hora de arriscar, sair da zona do conforto e desafiar os meus prórpios limites. A vida é feita de decisões e esta poderá ser uma das mais determinantes dos meus, ainda acabados de fazer, 25 anos.
Vou ficar, e explorar as minhas oportunidades, não tenho nada a temer. Prefiro arrepender-me por ter tentado do que o oposto.
Então, esta é hora de arregaçar as mangas, finalizar todas as tarefas que ainda tenho em mãos, mantendo sempre o meu lema: dar o meu melhor e fazer o melhor que sei.
Mas ao mesmo tempo, está na hora de procurar por um novo trabalho e acomodação. Sim, porque não se vive do ar e como já dizia um professor da faculdade, não existem almoços grátis!

1 a 28 de Fevereiro de 2017
Boas notícias para mim, encontrei um trabalho temporário e um lugar onde ficar. Ufa, posso respirar de alegria, menos uma preocupação e mais uma confirmação dos meus planos de ficar pela Escandinavia.
Mas ainda há algo que tenho de alcançar, um objetivo que ainda está pendente. E desta vez, rumo à Polónia, eu e a minha nova colega e voluntária da Estónia apanhamos o voo de Copenhaga a Wroclaw para a cerimónia de encerramento do projecto Youth on The MOVE e para a reunião de Coordenadores Nacionais da NowWeMOVE.
Nesta viagem tive a oportunidade de reencontrar caras conhecidas, da minha primeira viagem à Dinamarca para o MOVE Congress em Novembro de 2015, então na qualidade de Coordenadora da NowWeMOVE em Portugal (2015), evento no qual foi-me dado a conhecer o SVE por uma outra voluntária.
Além disso, foi uma viagem memorável pelo facto de ter encontrado com pessoas amigas que tenho acompanhado, desde o meu envolvimento com a NowWeMOVE em Portugal e por ser a última enquanto voluntária na ISCA. Mas esta viagem, embora com alguns momento caricatos, assinalou também o momento da minha derradeira apresentação na reunião de Coordenadores Nacionais, onde tive que apresentar uma proposta para um dos eventos, que poderá fazer parte do calendário de atividades da Campanha para o ano de 2017.
Desta vez, embora com o tão familiar nervoso miudinho, consegui construir um melodia coerente e consistente, com notas agudas e graves, cuja a audiência fora capaz de compreender.
Bravo, bravissimo, finalmente eu consegui fazê-lo. Pena não ter tido o professor de Laboratório de Comunicação Interpessoal lá para dizer: “A Nila é uma boa comunicadora e é eficaz, porque falou espassadamente mas quando foi necessário, soube dar maior entoação ao seu discurso. Diria que houve um bom equilíbrio entre o rápido e o lento”. Pelo menos é o que o meu ego gosta de pensar que ele diria…
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Agora há mais de 10 mil pés de altura, num avião da TAP, com um rácio de bebés/crianças a bordo, acima daquele que normalmente estou habituada (algo me diz que a minha vida vai estar sempre de alguma forma ligada às crianças), posso afirmar que sinto-me feliz e estou de volta a Lisboa. Mas, com viagem de regresso marcada para Copenhaga.
Por agora, no momento é lá que está, também, casa e é por lá que ficarei, até à próxima aventura!
O meu conselho para ti que chegaste ao fim desta longa história: pensa, pensa, mas não fiques só a pensar, arrisca! Desafia-te a ti próprio e vai além dos teus limites. E lembra-te a experiência só começa quando o desafio é aceite.


Adjeksenila Amado, Ex-Voluntária SVE
Céu de Lisboa, 27 de Maio de 2017

Enfrenta a vida sempre com um sorriso 


quinta-feira, agosto 03, 2017

Manual de Sobrevivência SVE



Já pensaste em aproveitar o verão para ajudar os outros, conheceres um sítio e uma cultura diferente e fazeres amigos para a vida? Sim, tudo ao mesmo tempo.
Nós sim e foi por isso que no verão passado apanhamos um avião e fomos para uma das maiores aventuras da nossa vida. Se nos arrependemos? Nem um pouco. E temos a certeza que também não te vais arrepender!
O SVE de Curta Duração “World Wide Village”, no Chipre, é como passares o verão no paraíso, rodeado de pessoas incríveis onde vais aprender imenso e não vais querer voltar para casa. Lá, mesmo que o trabalho por vezes sejas duro, fizemos memórias incríveis e vivemos experiências fantástica.
Mas, há algumas coisas que precisas de saber antes de ir, e é por isso que criamos um pequeno Manual de Sobrevivência para esta aventura.
1 – Apanhar boleia para todo o lado, ou como se diz em inglês “do hitchiking”. Eu sei, parece estranho e nada seguro. Mas, acredita, toda a gente naquele país o faz e toda a gente o aconselha, e é a maneira mais divertida e barata de conheceres todo o lado, nós podemos dizer que conhecemos quase todo o país às boleias, e foi incrível.
2 – Ir à taverna comer gelados de banana. Não é novidade que vais estar calor, é verão. Mas na taverna, que era o nosso sítio predileto para passar as tardes e noites, há gelados a 0.50€, e o de banana era o nosso pequeno vício.
3 – Dormir a sesta. Esta é importante, como trabalhamos de manhã, e queremos ter as noites para estar com os amigos e nos divertirmos, aproveita o tempo que tens entre o almoço e as atividades da tarde para dormires a sesta. Assim, vais ter imensa energia para aproveitares todos os momentos, visto que as noites lá são sempre super divertidas (embora não haja muita animação na pequena aldeia de Lysos, mas nós fizemos com que houvesse, faz tu também).
4 – Aproveita as oportunidades que a Caroline dá. Andar de cavalo? Bora! Fazer um workshop de liderança? Bora! Ajudar nos estábulos no tempo livre? Bora! Fazer proveito do espaço à frente da casa dela? Claro! A Caroline é uma pessoa incrível que vocês vão ter o prazer de conhecer e está sempre disposta a ajudar. Acredita que tivemos noites e dias excelentes na sua companhia e nos espaços dela, desde dormir ao relento no palco a andar de cavalo nas montanhas!
5 – Cuidado com os mosquitos. Leva repelente, a sério, é que os mosquitos adoram o clima do Chipre e se virem a tua pele desprotegida não vão mostrar piedade.
6 – Aproveita a comida da “Kori Kori” (rapidamente vais perceber quem é), principalmente as batatas maravilhosas. Little tip: são ótimas de madrugada.
7 – Usa calças e chapéu quando trabalhas no campo. Nós também pensamos que era exagero, mas aprendemos da pior maneira que não. Principalmente quando estás a apanhar amêndoas, visto que a parte de fora faz alergia na pele, e aleijam na cabeça, se estiver desprotegida, quando caem da árvore.
8 – Ir à piscina de Lysos. Ok, aquilo na verdade não é uma piscina, é uma pequena fonte por baixo da taverna, mas nós usamos como piscina, e temos a certeza que não te vais arrepender por também usar.
9 – Aproveita os pequenos mimos da Maro’s (vais conhecê-la logo no início e acredita que vai ser a tua segunda mãe). É uma querida e está sempre a dar coisas aos voluntários, desde comida a toda a ajuda que precisares!
10 – Fazer yoga no telhado da casa principal. No pôr do sol e com vista para o mar? Perfeito!
11 – Aproveita toda a fruta que vires nas árvores. É um país cheio de árvores de fruto nas ruas e são deliciosos!
12 – Pôr música enquanto trabalhas. Ajuda a manter o ritmo e vais divertir-te bem mais.
13 – Aproveitar as noites para socializar, dançar, divertir-te. Vais estar rodeado de gente incrível, não vais querer perder estes momentos.
14 – Deixa os italianos cozinharem. Pizza e pasta? Não tem como não gostar.
15 – Se dormires na praia leva agasalhos. Por favor não te esqueças de levar roupa quente, as noites no Chipre são frias, nós pensamos que fosse exagero e depois arrependemo-nos. Principalmente se te apetecer dormir na praia nas folgas, leva roupa quente.
16 – Go with the flow! (but not too much) Aproveita todos os momentos e diverte-te muito. Não vais querer arrepender-te de não ter feito algo.
Tira muitas fotos e vídeos e diverte-te muito. Nós divertimos e acredita que se pudéssemos voltávamos sem pensar duas vezes!

Se tiveres mais dúvidas, podes contar com a nossa ajuda.


Ana Matos, Joana Patrício e Daniela Carvalho

quarta-feira, agosto 02, 2017

Experiência do António como SVE



O meu SVE em Cascais

Após 15 horas de voo, um dia “perdido” em Madrid e 8 horas de autocarro cheguei a Lisboa. Definitivamente, nunca me tinha sentido tão pequenino. Cheio de curiosidade, algo desorientado e ansioso por conhecer a equipa da Rota Jovem e da Cascais Jovem, enquanto esperava na estação reflectia seriamente sobre o que me tinha trazido tão longe de casa. Lembrei-me de uma série de decisões que tinha tomado uns meses antes: acabar o meu curso na Universidade e tomar um destino alternativo para crescer profissionalmente é um caminho muito limitado no meu país, Equador, e o SVE abriu-me as portas a um mundo cheio de oportunidades e experiências como voluntário.

A Elena da Rota Jovem veio-me buscar na estação de autocarros para levar-me à minha última paragem, Monte Estoril, onde agora moro com a dona Emília e a filha dela. Uma família muito pequena que me recebeu com muita amabilidade e atenção e com quem eu, com os meus escassos conhecimentos de Português, tentava comunicar-me sem muitos bons resultados.

Há mais de dois meses que estou em Portugal e já utilizei este tempo para analisar o terreno com um grande instinto explorador nesta selva de cimento e de ruas, supermercados e centros comerciais. Já visitei Lisboa, uma cidade linda e cheia de arte e cultura, única com as suas sete colinas, com a sua arquitectura, com as suas igrejas, com os museus, as tascas e os bairros tradicionalmente portugueses. Tive até a oportunidade de conhecer uma compatriota Equatoriana nas Festas do Santo António, quando milhares de turistas de todo o mundo se concentram na cidade!

O movimento de Lisboa flui sincronizado. Os autocarros, os carros, os comboios e as pessoas circulam a um ritmo quase perfeito e é possível apreciar o valor do tempo. O sol vai-se embora só às 9 da noite e isso é novo para mim. As pessoas são amigáveis e abertas e cumprimentam sempre com um sorriso. O café da manhã e o do meio-dia são irrecusáveis para os portugueses e são momentos de partilha entre amigos e de desconexão com o devir quotidiano. Os mercados locais funcionam dois dias por semana e são a melhor opção para prover-se de frutas e verduras. Nunca falham na gastronomia portuguesa o bacalhau, a sardinha e outros produtos das costas do Atlântico. Um dos meus grandes desafios é ir às compras em supermercados onde encontro um sem fim de marcas de um mesmo produto, o que me faz uma enorme confusão :)


Rota Jovem e a Câmara Municipal de Cascais têm-me acolhido como parte da sua família e com eles posso partilhar experiências culturais e laborais. Trabalho em equipa, colaboração, inclusão e responsabilidade nas actividades logísticas e na preparação de diferentes projectos são uma parte importante do meu dia a dia. É bom fazer parte de actividades que servem para impulsar o emprego jovem e doutras que têm o intuito de promover o intercâmbio cultural, com iniciativas de voluntários sobre temas como a não discriminação, a igualdade de género ou a celebração de noites interculturais. A ligação com outros voluntários também é fundamental para estreitar laços de amizade entre os jovens que participam no programa SVE e a semana que passei em Guimarães com mais 21 voluntários de diferentes países europeus foi uma aventura inesquecível!

Participar ativamente nestas actividades é uma grande ajuda para desenvolver as minhas habilidades e para adaptar-me a diferentes ambientes, a diferentes pessoas e culturas. Espero poder culminar esta viagem cheia de experiências e novos conhecimentos com mais vontade de continuar a explorar e a ajudar!

António Kaniras, Voluntário SVE do Equador