Mostrar mensagens com a etiqueta artigo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta artigo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, dezembro 13, 2017

34.774,3 ideas per hour

Ileana left Bucharest in October to join the EVS project "Strengthen the bond of inclusion". She will stay until June 2018 and she will apply in ALEM all her knowledge and skills as an actress through theatre workshops and other activities with the kids. A lot of ideas are crossing her mind in this first period in Portugal so spontaneity and creativity are guaranteed in the next months!

I am in Lisbon for two months and I feel like I`ve been here for ages. I have a poor communication with my friends because when they ask me about my life here, I find it hard and limitative to use only words. Even if you add images, it`s not enough, that is why i rarely take pictures, because they cannot grasp the actual feeling of being here. I am fascinated by everything, of course, because everything is new to me and it is a change of environment and also because i feel the particularity of such a special place as Lisbon. The light, the colors, the rythm all around, the river, the planes, the boats the air in which you can see small particles of water, at sunset, the up and downs allthroughouth the city, hidden beautiful places with amazing views, the food (oh my God, the food!) make Lisbon a unique place.


For some days I can actually sit relaxed in a random coffee place and just relax without needing to walk more or know more about the city. I think I am beginning to accommodate. My first month was very intense, here, I had such a hunger for life and for exploring, I could barely sleep.
The apartment in which I live is amazing, in the center of the city. For the past months, I have been waking up early, climbed down the street filled with tourists waiting for a ride with the funiculaire and went to various places in the city in order to take Portuguese classes, in the morning, and accomodate with the institutions in which my European Voluntary Service project will develop.



I am more than satisfied with the places and with the type of activity that I am going to do, also the people in ALEM are amazing, incredibly careful of about all the aspects of our work here and also very kind and understanding and open-minded. That makes my mind very excited about all the possibilites of projects that can be developed. I will be working generally with minorities of many kinds (children and women from gipsy families, children that come from less developed environments, generally, who are not supported by their communities to follow education, person with disabilities, older persons), using theatre as an alternative educational method that has to fulfil the purpose of making studying/education/going to school more attractive. One school I will be working in, A.P.I.A. has already an alternative educational system,  that I had seen applied and I would further like to read about and integrate it in my way of holding workshops, or teaching, too.
There is such a flux of new things, all the time, meeting new and variate people, like the people we meet at Rota Jovem, that were here for a training course regarding refugee integration, and were from different countries all over the world, sharing their stories and discussing solutions for their countries problems and not only.
We are constantly changing the spaces, the dynamics of our existence here, moving from schools to museums, to workshops, to concerts, to dancing, to chilling at home, talking about how should we apply what we have in our minds, filled with energy and with excitement and hope for positive change.
I am amazed and happy to be able to work in an environment in which to be different is not something to blame, in which values like equality of rights for all people disregarding sex religion nationality or race are being promoted and an environment that puts emphasis so much on literature and art. I have had 34774,3 ideas per hour while being in the places in which I am starting to work, now I just need to focus on few of them and make them happen.



I feel Lisbon is the place in which you can do, it has this sort of vibe that supports you in whatever you want. So, let`s!


quarta-feira, novembro 29, 2017

Cá estou eu, Lisboa!

A Domiziana tem 22 anos e muitas histórias para contar. Siciliana de Messina, já morou no Chile e agora está connosco em Portugal para fazer o seu SVE na ALEM. Ela, que acredita mesmo na luta pela inclusão social e na igualdade entre todas as pessoas, está a trabalhar nas escolas do bairro da Ajuda em Lisboa com o objectivo de superar todos os desafios que tem pela frente e deixar a sua marca daqui a 8 meses.

O meu primeiro encontro com Lisboa aconteceu implicitamente há alguns meses atrás, ao voltar da América Latina, quando eu me tinha prometido a mim própria que aprenderia Português com o propósito de poder voltar áquele continente maravilhoso e ter a capacidade de poder comunicar em todos os países. Quando acabei o meu curso na universidade, uma coisa era certa: eu queria arriscar, ver quais eram as minhas habilidades e também os meus medos. Assumir a responsabilidade de sair da minha zona de conforto e ter a certeza do que será o meu futuro. Desta forma Lisboa chegou, de repente. Eu conheci uma associação maravilhosa em Palermo, CEIPES, e graças a eles um projecto, “Strengthen the bond of inclusion”, que se desenvolve com um SVE - Serviço deVoluntariado Europeu de 9 meses de duração em Lisboa.

E cá estou eu!

Numa viagem em dois aviões e com tantas horas de duração como para fazer invejar qualquer ida a outro continente foi como há já dois meses eu cheguei à Lisboa "sedutora", como alguém a definiu recentemente. Aqui qualquer ângulo se torna uma descoberta e fica difícil não considerar a ideia de nunca parar para dormir. Lisboa é as sete colinas e os dois lados separados do estuário do Tejo, o que está a faltar para não me sentir em casa? (eu sou italiana, e em Roma também temos sete colinas, e siciliana, onde temos também o Estreito de Messina).


O meu projecto de voluntariado está relacionado com a inclusão social. Quando há uns meses atrás eu terminei o meu curso estava indecisa e não sabia se continuar a estudar para aprofondar melhor naqueles temas que sempre me tiveram curiosa do ponto de vista teórico ou se pôr em prática os conhecimentos adquiridos e, também, descobrir quais eram as minhas habilidades práticas e de adaptação a situações diversas. A alternativa a este projecto teria sido o começo dum mestrado em Geografia que fornecer-me-ia as bases para entender como a construção das grandes cidades pode influenciar a nível económico e social uma população. É por causa disto que é muito interessante para nós não olharmos a cidade com olhos de turista. Tenho a possibilidade de estar a trabalhar na parte "escondida" desta cidade sendo protagonista da luta contra a exclusão, a segregação e a ideia de uma divisão social inexorável, contribuindo à ideia de que ninguém é inferior ao outro e que não é necessariamente um contexto social que vai influenciar a formação, o crescimento, a vida ou as possibilidades duma pessoa. É muito agradável ver os jovens rebeldes (e não só) com muita vontade de se expressar e cheios de recursos apesar das poucas pessoas que acreditam neles. E é uma grande honra ter a possibilidade de consciencializar sobre isto.



Do outro lado, estou a viver numa zonas mais centrais de Lisboa junto com cinco companheiros de viagem vindos de cidades europeias diferentes: a Andrea de Santiago de Compostela; a Cira de Barcelona; o Diego de Madrid; a Nadejda de Sofia e a Ileana de Bucareste. Isto é para mim uma oportunidade incrível de interculturalidade: o confronto diário com ideias diferentes, com modelos de educação diferentes e com diversos estilos de vida é para mim uma fonte de inspiração e de crescimento pessoal. Isto para além da possibilidade de me deslocar facilmente e para diariamente comparar as diferenças entre "esta Lisboa e a outra", considerando que todas as estruturas onde nós trabalhamos estão na periferia de Lisboa.


As organizações nas quais nós trabalhamos são principalmente jardins de infância, escolas e associações. Com a ALEM -Associação Literatura e Mediação, quatro de nós complementamos o trabalho dos professores através da proposta de laboratórios e workshops que principalmente pretendem estimular o interesse pelo estudo dos alunos e o conhecimento por parte das instituições da arte, do desporto e da música como elementos facilitadores da aprendizagem. Também é importante o trabalho de estimulação do movimento especialmente na Fundação LIGA, que se ocupa de “procurar responder às necessidades e interesses de cada utente, (...) com condicionamentos da sua funcionalidade física, social e/ou cultural, (...) com programas abrangentes, sempre com laboratórios artísticos.”

O primeiro mês foi sobre de tudo um mês de observação. Os meus companheiros e eu visitámos todas as estruturas, do Bairro da Ajuda com o jardim da APIA (Associação de Protecção à Infância da Ajuda), a Associação de Actividades Sociais do Bairro 2 de Maio e a Fundação LIGA, até o Bairro da Outurela com a Escola Básica Sophia de Mello Breyner, onde estão sobretudo os meninos jovens das comunidades africanas e ciganas de Lisboa. Este mês certamente foi útil para entender as nossas preferências e para reflectir sobre quais das nossas propostas poderiam ser mais oportunas para as diferentes estruturas. Para além disso, nós também fazemos parte de seminários e conferências, onde nos informaram sobre o conceito de educação de 360 graus e sobre métodos alternativos como a arte,em tudas as suas facetas. Graças à Rota Jovem e ao SVE - Serviço de Voluntariado Europeu, todos nós temos a possibilidade de ser apoiados em qualquer questão e de fazer parte dos vários projectos que eles desenvolvem na associação.


A escolha das estruturas nas quais trabalhar esteve baseada no nosso interesse pessoal. Eu decidi apontar principalmente para algo que eu nunca tinha experimentado e apesar de eu fazer parte em projectos diferentes em instituições diferentes, o meu trabalho desde o fim do mês de Novembro está focado em ajudar nos jardins de infância e aos jovens com deficiência, mas também num projecto de cinema com os meninos da escola básica.
O objectivo do projecto é não apenas transformar a nossa contribuição numa inclusão social mais sólida e possível mas também concretizar a máxima do “do ut des” enquanto se trata duma ajuda mútua.


Este projecto e esta experiência são então o começo duma descoberta pessoal, do conhecimento da cidade das mil descobertas, com edifícios vazios mas cheios de histórias e a vontade de lutar por aquilo que merece a pena. Com portas meio abertas das quais sai a voz duma mulher acompanhada pela maravilhosa viola de doze cordas. Significa a possibilidade de apresentar as culturas diferente na minha própria casa, com os meus companheiros de viagem e com as diferenças entre todos nós, até a mistura maravilhosa de culturas que eu encontro novamente nas escolas junto com as comunidades africanas e ciganas.


sexta-feira, novembro 24, 2017

Descobrindo o trabalho dos voluntários, entre peixes e meninos

O 22 de Novembro o Raul Pinto, o professor da Biologia da Escola Básica Sophia de Mello Breyner fez uma aula diferente. Não foi na escola, não foi com mesas e cadeiras. Foi uma aula no Oceanário! Teria sido muito lindo que todos os voluntários SVE tivessem estado presentes, mas o grupo estava na Formação à Chegada em Guimarães e apenas a Nadejda e eu conseguimos ir. Aproveitei para saber um pouco mais do trabalho dos nossos voluntários nas escolas parceiras da ALEM.
À uma e meia na porta do Oceanário de Lisboa estavam moitas turmas. Enquanto procurava a Nadejda encontrei um grupo de meninas que sabia que eram daquela escola. Perguntei diretamente pelo professor e uma das meninas berrou: "- Professora! As estagiárias!". Não veio a professora, mas todos os alunos a correr. Alguns perguntavam onde estavam os outros voluntários, outros brincavam tentando  falar em Inglês. “I'm a good Bulgarian” “Que fala Bulgariano, Bogarian? Perguntavam pela Nadejda. Uma bem-vinda bem engraçada! Pouco mais tarde chegou o Raul e entramos no mundo dos peixes.

“Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar”. Uma frase da poetisa que dá nome a escola, para começar a visita. Esta poetisa acompanha-nos durante toda a visita com poemas que os alunos e o Raul vão lendo. Entre explicações e aquários aproveitamos para falar com os meninos. Depois do aquário, das mantas e dos peixes Luas um aluno vem ter com a Nadejda para falar com ela. Ele pergunta sobre os oceanários da Bulgária e mostra interesse por saber se no país dela também há e se são grandes como aquele.
Enquanto olhamos para uma janela do aquário central, passam tubarões e as barracudas bem quedas nos observam, tenho as primeiras opiniões dos alunos sobre os voluntários. “Gostamos muito dos voluntários, eles ensinam-nos e nós ensinamos-lhes a eles coisas sobre Portugal, palavras em Português…”, “temo-nos ligado muito a eles”.

Depois de passar pelo Oceano Atlântico norte, pelo Antártico e pelo Pacífico temperado os alunos começam a estar cansados. E quando chegamos à parte final, no Índico Tropical, entre pequenos peixes de colores, polvos e caranguejos gigantes, um grupo de meninas dizem-me mais coisas bonitas sobre o Diego, a Domi, a Nadejda e a Ileana. “São simpáticos, gostam de ajudar, são prestáveis e são muito sociáveis.”
Todo o que eles dizem são coisas positivas. Alguns explicam-me as actividades que fazem com eles. Uns gostam da maneira em que Domiziana tentou fazer calar os alunos durante o filme “Hotel Ruanda”, ela já tem ganho o respeito deles pela sua forma de fazer muito calma e respeitosa. Outros falam da actividade que fizeram com a Ileana e com o Diego sobre a cultura romena, dizem que foi uma boa actividade para incentivar os alunos a conhecerem outras culturas. “Vetêment, robe, chemise, chaussettes”. Uma menina mostra o vocabulário que a Nadejda lhe tem ensinado nas aulas de Francés. Muitos alunos falam também das aulas de cozinha do Diego, gostam do gesto dele, de aprender doutra maneira, e alguns que ainda não estiveram com ele dizem que gostariam de ir para cozinha aprender com ele.
Depois de todas as opiniões chegamos ao fim do oceanário, mas aqui não acaba tudo, ainda fica a visita à exposição temporal sobre as florestas submersas. E então aproveito para saber o que é que os professores pensam. “A sua ajuda é muito importante, sobretudo nesta escola”, diz a professora. Raul, que acaba de ser pai e portanto não tem estado muito tempo com os voluntários, tem no entanto uma opinião firme. “É importante a sua ajuda porque ensinam doutra maneira, eles mostram a educação não-formal, e têm qualidades que o professor não tem”.

O fim da visita chega às quatro da tarde quando toda a turma não pôde andar mais e estão todos sentados no chão. Uma frase, “Atlântico, Pacífico, Índico, Antártico, Ártico: Um só Oceano”, fai-nos lembrar que ainda que todos somos de diferentes lugares (Bulgária, Roménia, Itália, Espanha e Portugal) somos todos humanos deste mundo. Uma bonita frase para acabar nosso dia.

quarta-feira, novembro 22, 2017

Os desafios do Diego em Portugal

O Diego é de Madrid e embora tenha chegado a Portugal há apenas um mês é um bom conhecedor da cultura deste seu país de acolhimento. Em Espanha combinou as aulas na Faculdade de Economia com cadeiras sobre literatura portuguesa e agora está pronto para trabalhar com crianças e jovens no marco do seu projecto do Serviço Voluntário Europeu, "Strengthen the bond of inclusion". Aos 28 anos, Diego tem ainda muitos desafios pela frente na ALEM durante os próximos 9 meses!

Quando uma pessoa acaba a faculdade enfrentas-se a um universo grande. De repente é empurrada para uma realidade à que não está habituada. O ritmo da sociedade leva-a para uma trincheira sem sequer ter balas na recâmara para as usar no casso de ela ser acurralada.

Vista esta situação de desassossego decidi apanhar um caminho secundário. Há tempo que queria morar em Portugal, país do que gosto imenso e do que há poucos anos que comecei a estudar a sua língua e a descobrir a sua cultura, e percebi que a melhor maneira de cumprir os meus desejos seria através de um projeto de voluntariado. Isto permitir-me-ia combinar a minha imersão na cultura portuguesa ao mesmo tempo que poderia realizar lá (cá) um projeto de ajuda à comunidade. Sendo assim, candidatei-me ao projeto "Strengthen the bond of inclusion" sem dúvida nenhuma.

Nunca tinha vivido uma experiência Erasmus e a minha cabeça começou a imaginar todas as combinações possíveis. Finalmente fui selecionado para este projeto de integração social das crianças através da literatura e da cultura em Lisboa, uma combinação longe da minha formação acadêmica, mas que agora sinto que está a orientar a minha futura vida profissional.

Lisboa oferece atualmente uma grande torrente de cultura e vida social, é uma cidade em efervescência e isto faz com que seja para mim uma das melhores opções onde poder fazer um voluntariado europeu. Tem fado, Português, surf, capoeira, boa comida, é acessível e próxima, assim que está a ser uma grande aventura descobri-la.


O grande desafio durante este primeiro mês tem sido conhecer as minhas colegas de casa e de vida lisboeta, cinco raparigas de origens variados: Cira da Catalunha, Andrea de Santiago de Compostela, Domiziana da Sicília, Ileana da Roménia e Nadejda da Bulgária. Cinco personalidades diferentes que seguramente me irão ajudar a revisar as minhas ideias e os meus medos e, claro, ajudar-me-ão também a evoluir a nível pessoal.


No que diz respeito ao projeto, ele desenvolve-se em várias escolas nos bairros de Belém e Ajuda, com estudantes que carecem das mesmas oportunidades que nas outras escolas. Nestes centros alunos de diferentes culturas partilham as aulas nem sempre nas melhores circunstâncias económicas, sociais ou familiares. Por causa disto a nossa função consiste em atingir o objectivo de que as crianças percebam a importância das escolas nas suas vidas, a importância que supõe a cultura como elemento de mobilidade social. Já conhecemos algumas turmas com as quais vamos trabalhar e é difícil descreve-las. A energia destes alunos é imensa, em muitos deles traduz-se em barulho e desatenção o que leva a dificultar o controlo da aula. É uma questão complicada de gerir, mas sei que esta energia se pode canalizar no sentido apropriado, nem sempre eles têm culpa do que está a acontecer.

Vamos ver como correm os próximos meses, tenho a certeza que o trabalho com os estudantes será o meu próximo desafio!



sábado, setembro 16, 2017

Diversos

Os países da América Latina têm um passado não escrito, um passado cujos principais protagonistas foram os povos originários que habitavam o continente desde tempos imemoriais e que deixaram para as futuras gerações um enorme legado cultural que ao longo do tempo e apesar das adversidades ainda hoje perdura. O idioma e as costumes ancestrais, os mitos e as histórias que foram contadas pelos avós dos avós continuam vivos em nós e continuarão vivos nos nossos filhos.


Há cinco meses atrás eu não tinha uma perspectiva muito clara de como é que as culturas estrangeiras veem os povos indígenas e os países considerados “em desenvolvimento”. A minha percepção estava focada apenas num ângulo e a minha curiosidade por compreender algo que não conhecia foi o que me empurrou a fazer esta viagem. Um projecto do Serviço Voluntário Europeu em Portugal foi a chave para lográ-lo e este é sem dúvida um país multicultural que abre as suas portas a milheiros de pessoas de todo o mundo: viageiros de passo, turistas, migrantes e pessoas que por diferentes motivos chegam a este formoso lugar da Europa. As oportunidades para criar conexões inimagináveis entre pessoas tão diversas e com histórias tão diferentes são tão grandes que conseguir perceber completamente cada história, cada pessoa, seria impossível. Existem cá habitantes de países remotos e culturas desconhecidas das que pouco ou nada se sabe nos países mais “desenvolvidos”. Existe também, portanto, uma falta de informação sobre esses assuntos que se traduz na adopção de estereótipos para referir-se a pessoas que chegam de países de África, Ásia e América Latina. E este fenómeno não acontece apenas em Portugal mas em todos os países do mundo em diferentes contextos e é sempre o forâneo, o desconhecido, aquel que tem outros hábitos ou formas de vida o que irá ter uma etiqueta colada no rosto. Pergunto-me, então, porquê não fazemos nada para acabar com este problema se a solução poderia ser muito simples.

Após uma longa luta de mais de 500 anos contra a aculturação, a injustiça e a discriminação, os movimentos indígenas fortalecem cada dia mais as suas raízes para poder afrontar estes conflitos e para ter um lugar importante nos processos sociais e culturais de cada país, evitando a exclusão e fomentando a interacção com outros sectores sociais, para conseguir assim uma visão mais ampla no contexto do mundo globalizado em que vivemos sem perder a essência que nos caracteriza e o valor do auto-reconhecimento.


O poder da comunicação, o acesso à informação e a empatia são a chave para deixar atrás os prejuízos culturais que só criam muros de ignorância entre as pessoas e nos impiden compreender que os estereótipos que nos etiquetam são apenas invenções duma cultura dominante obsoleta. Deveríamos melhorar a nossa interação numa comunidade mais diversa porque é através das pessoas que podemos conhecer distintas realidades sem necessidade de viajar e também aceitar que todos nalgum momento sentir-nos-emos desconhecidos ou foráneos quando estamos longe de casa.

segunda-feira, novembro 30, 2015

Da maior favela do Mundo para o In Rot@tion!

 A Marta ficou inspirada pelo Rotas Pelo Mundo e quis partilhar a sua experiência sobre o projeto no qual está a participar no Quénia. Acompanhem-na no Kibera With Love para terem mais notícias!
 
 
"Sabem aquela sensação que no fundo todos temos que é mudar o Mundo ? Eu sempre senti isso, sempre tive esse impulso e hoje em dia é maravilhoso todos os dias ao acordar aperceber-me que isso realmente está a acontecer. Sim eu posso gritar todos os dias que estou a mudar a vida de mais de 100 pessoas.

Em 2012 vim para o Quénia sozinha, para Kibera aquela que é considerada a maior favela do Mundo, fazer voluntariado. Depois de alguma pesquisa não sabia bem o que me esperava e muito menos como iria dar aulas e brincar com crianças entre os 3 e os 6 anos com meu terrível inglês. A verdade é que quando eu vim para o Quénia a primeira vez não dizia grande coisa em inglês...mas o mais engraçado foi ver que aquelas crianças ainda diziam menos do que eu. Falavam em swahili que hoje é um idioma que domino o suficiente para sobreviver todos os dias em Kibera, onde vivo.

A verdade é que depois de regressar a Portugal após 3 meses aqui a minha vida deu uma volta de 180º e passou a ser tudo em função do From Kibera With Love, projecto que decidi criar de forma a prestar mais ajuda a estas crianças e às suas famílias. Este nestes 3 anos cresceu imenso, às vezes nem eu própria tenho noção de como cresceu e sinceramente não sei explicar muito bem como. Olhando para trás e entre ameaças de morte, vários problemas e obstáculos, relembro a cara satisfeita e ao mesmo tempo assustada das 16 crianças que coloquei no 1º ano em 2013... hoje em dia essas 16 crianças têm a companhia dos irmãos, dos primos, dos vizinhos, dos amigos e têm acesso a educação de nível, cuidados médicos, alimentação, actividades extra curriculares (informática, dança, arte, ginástica). Hoje em dia o projecto apoia 65 crianças e jovens, temos até já um jovem na universidade. Apoiamos também os pais das crianças na criação e gestão de negócios para que eles possam dar algum suporte em casa aos filhos e possam colocar comida na mesa ao final do dia. Também damos mais e melhores condições de vida a estas famílias, compramos camas e colchões para que deixem de dormir no chão, mesas para que possam fazer os trabalhos de casa e jantar em família e muito mais.

Estas crianças antes do From Kibera With Love entrar nas suas vidas não tinham a infância que qualquer criança merece ter, não sabiam brincar, não sorriam, não demonstravam os seus sentimentos e tudo isso mudou desde que começaram experienciar coisas fora de Kibera, desde ir ao cinema, comprar roupa que gostam, brincar num parque infantil, visitar museus e parques nacionais. A participação diária no nosso ATL e nas actividades extra curriculares que promovemos também são fundamentais para o seu desenvolvimento, é nelas que descobrimos talentos e que abordamos temas bem como onde desenvolvemos capacidades não abordadas na escola.

Mas nada disto seria possível sem a ajudar de milhares de pessoas que acreditam e confiam no meu trabalho. Sem a ajuda dos doadores, dos voluntários em Portugal e no Quénia (porque cá também já recebo voluntários para me ajudarem) esta mudança não tinha acontecido na vida destas pessoas.

OBRIGADA a todos aqueles que ao longo destes 3 anos ajudaram o From Kibera With Love a crescer e que continuam a apoiar o nosso trabalho."

sexta-feira, novembro 20, 2015

“Inside Outside” – Invasão criativa ao palácio Marquês de Pombal em Oeiras

Entre as paredes e caminhos do edifício que outrora foi a residência oficial da figura icónica do século XVIII em Portugal, o Marquês de Pombal, encontra-se quase 3 dezenas de intervenções, esculturas, vídeos e ruídos.

A presença de tais esculturas não estão por aqui ao acaso, como não é de esperar por quem ali circula entre os jardins e salas do palácio. São o resultado de 1 ano letivo de muita refleção, pesquisa intensiva, projeção, colaborações, frustrações, reconstruções e uma infinita lista de fazeres que são parte de um projeto de cariz artístico ou cultural. Este projeto desta vez ficou nas mãos dos alunos da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa do curso de Escultura, que aceitaram o desafio de trabalhar este espaço com uma grande riqueza histórica mas ao contrário de outros palácios, depararam-se com um espaço despojado de qualquer objeto. Era apenas paredes, escadarias, tetos, janelas e chão. E uma vastidão de jardins!

Como qualquer projeto, existe sempre um ponto de referência para dar início aos trabalhos, e o vazio foi essa referência que se encontra naquele espaço e a sua carga histórica (no século XVIII reinava a época do barroco e do rococó que é a antítese do vazio, aliás é conhecido como os estilos artísticos do “horror ao vazio”).

A partir de várias visitas ao espaço, de recolhas de factos históricos, pesquisas acerca dos habitantes do palácio, política e vivências da época, desenhos, apreciação da arquitetura, reuniram-se as condições para começar a projetar objetos e as sua maquetes para dar forma às nossas ideias e intenções. Enganem-se se acham que os artistas têm epifanias, de facto elas surgem mas rapidamente 1 ideia transforma-se em 1000 variações para que no final seja escolhida “A Ideal”. Por trás dessa possibilidade existe registos no espaço, testes de material, resoluções de problemáticas tanto ao nível conceptual como ao nível material, maquetes e maquetes das maquetes.

No encerrar do processo surge então a Escultura e uma exposição com um fluxo de linguagens e confrontos de informação unidas pelo espaço no entanto distintas pela sua formalidade, registo e conceito.

O espectador também conta neste processo que é visitar e olhar para todas estas presenças e encarar como estas o envolvem. E usufruir pois claro!

Têm a oportunidade de visita-la até dia 29 de Novembro. (Mais informação no evento do Facebook)


Inês Vasquez 

@ arrotante do momento!:
INÊS Entre a Arte e o Zen existe a Inês, uma criativa que se define ser uma sinergia explosiva contrastada com uma paz de alma. O resultado é uma constante curiosidade pelo mundo, montes de sorrisos para quem por ela passa e uma caixinha de surpresas.
Apesar de tudo acredita... ela é um ser da terra e não da lua.

quinta-feira, julho 30, 2015

Era uma vez… a Criatividade: Escrita Criativa e Storytelling


“ O presente impõe formas. Sair dessa esfera e produzir outras formas constitui a criatividade.” – Hugo Hofmannsthal in O livro dos Amigos
Vivemos na era da exigência, do imediato, da quantidade aliada à qualidade, da rapidez, do instantâneo e ainda temos tempo para respirar. Vivemos um momento histórico em que a Humanidade muito se orgulha e faz dele o grande pilar dos seus grandes feitos: a ascensão do mundo virtual e a sua capacidade de conetar tudo a todos.
De nómadas passámos a sedentários para sermos de novo nómadas mas desta vez com uma diferença: somos nómadas que percorremos quilómetros através de um simples e humilde “click”. No entanto, grandes feitos tem a suas repercussões, mesmo que não estejamos cientes do que isso significa. 

Na era da exigência e do instantâneo, o que adotámos para corresponder às nossas novas necessidades (o já, o aqui e o agora) foram modelos pré-definidos, standart, o que provoca muitas vezes situações monótonas e sem qualquer tipo de estímulo (a não ser o do consumo rápido). E para além do mundo sem barreiras, podemos assistir também a um fenómeno contraditório: aquele em que vivemos, o isolamento social e de comunicação.

Eis adiante, o nosso verdadeiro novo desafio: como contornar estas questões e aproveitar o balanço dos nossos tempos(?). Não vou dar nem temos uma resposta certa e eficaz para a resolução destes problemas, contudo uma coisa é certa: a mudança começa em nós. E outra igualmente certa é que com a ajuda do engenho e da arte tudo é possível. 

O desenvolvimento de novas ideias e soluções advêm da aquisição de novas ferramentas ou de desenvolver algumas que já temos. 

Duas delas aqui apresento para abrir uma reflexão: a escrita e a capacidade de escutar.

O ato de escrever por mais banal que pareça é uma das ferramentas que mais desenvolve as competências da comunicação. A nível neurológico, ajuda no surgimento de novas ideias, na capacidade de concentração e na retenção de memória. Aliada à criatividade, a escrita pode ser uma mais-valia nos tempos que correm, nomeadamente dentro do mercado das ideias, que cada vez é mais exigente. 

Quando assentamos uma ideia, um pensamento ou um sonho, mesmo que seja o mais absurdo, podemos encontrar algo que realmente pode resultar enquanto ideia empreendedora. Pequenos exercícios de escrita ou dar continuidade a um diário pode incentivar um espirito crítico e aberto nos dias de hoje. 

Também tem um efeito terapêutico, é um importante momento de introspeção e reflexão dos desafios pessoais. Ajuda a clarificar os nossos valores, propósitos e ganhos. Clarifica os próximos passos, escolhas e novas direções.
Escrever não necessita ser sequencial ou fazer sentido. Nesse momento ninguém está a avaliar a gramática, a pontuação, etc… Escrever é um processo que ajuda a estar mais consciente do presente.

Com o mesmo efeito, a nossa capacidade de escutar desenvolve a nossa compreensão do que está acontecer ao nosso redor, da nossa capacidade de criar significado e cultivar entendimento. Quantas vezes ouvimos invés de escutar alguém? 

O Storytelling é um termo recente, no entanto é uma prática ancestral. A arte de contar histórias tem como base 3 princípios: Descobrir, Capacitar e Partilhar.

Quando existe uma verdadeira partilha, dá-se o início de um processo de conexão entre identidades e entidades, de realidades e opiniões. Descobrimos a outra parte, os seus valores, crenças e cultura e daí quebram-se estereótipos, conceções e barreiras. E quando pedes a alguém para contar a sua história, no fundo capacitas essa pessoa, ao dares uma voz e que essa voz tenha a liberdade de se exprimir. Promove-se o entendimento entre realidades e consciencializa-se para algo que pode ser fruto de uma verdadeira mudança.

@ arrotante do momento!:
INÊS Entre a Arte e o Zen existe a Inês, uma criativa que se define ser uma sinergia explosiva contrastada com uma paz de alma. O resultado é uma constante curiosidade pelo mundo, montes de sorrisos para quem por ela passa e uma caixinha de surpresas.
Apesar de tudo acredite... ela é um ser da terra e não da lua.

terça-feira, julho 21, 2015

5 Amazing Animation Movies!

Animation for me is the closest way to escape reality and wake up the little girl inside me. Simple happiness as it is with magic all around!

I choose 5 animation movies, which touched my heart deeply with story, picture, characters and philosophical context. Huge work and talent made these movies live and become real masterpieces.

 
Song of the sea
2014
Irland
Tomm Moore







The story is based on the irish legend of the Selkies, and tells about the last sealgirl Saoirse and her older brother Ben. They go to the journey of saving the magic world, discovering themselves and secrets of the past.

This animation movie is full of love and tenderness, after watching it I couldn't stop smiling! The beauty of the “Song of the sea” is impressive – colors, style, paintings of the nature, magical creatures and characters – every detail makes it the most beautiful movie I've seen recently.

I think it is very important that people still find new ways to tell about basic important things like family relationships and carrying about closest people, the art of saying sorry and letting go, understanding and love.

This is kind of movie I will show to my kids some day for sure!







Nocturna
2007
Spain
Adrià García, Victor Maldonado








Have you ever noticed in all the scary and beautiful sounds of the night? Have you ever wondered why your hair looks funny after sleeping? And where one of your socks go all the time? Well, it appears that night is controlled by magical creatures!

Little orphan boy named Tim discovers secret life of Nocturna and at the end becomes brave saviour of the night world and of his own fears.

It reminded me about myself visiting grandparents in village, laying under stars on the silent summer night, listening to my grandmother's fairytales and fantasizing how I fly around and see all the magic others can't see.

This animation is original and full of fantasy, it is absolutely charming!







Howl's moving castle
2004
Japan
Hayao Miyazaki








Well, this one is one of masterpieces of the greatest anime director ever - Hayao Miyazaki. “Spirited away”, “My neighbor Totoro”, “Kiki's delivery service”, etc. You have to know what this guy is creating! So, it is pretty difficult to choose the favorite one, I just closed my eyes and picked this one :)

“Howl's moving castle” is about love between young girl Sopie cursed to be ugly old hug and handsome wizard Howl. The main thing I love about this movie is that it draws you into the world full of beautiful landscapes, flying machines, strong characters and beautiful stories. It seems that you can feel fresh mountain's air and silky green grass and touch the clouds.

Even though the plot is quite classical and is made from stories we heard million times, Miyazaki as true artist makes them intriguing and visually creative.





 

 Tekkonkinkreet
2006
Japan
Michael Arias








I wouldn never call this anime a fairy tale. It is closer to real life like any of movies in this list. Tekkonkinkreet is a moralistic story with a blend of violence and crime, humor and fantasy.

The story of two homeless brothers called Black and White touches everlasting topic of struggle between light and dark, night and day. This anime is very strong emotionally, because it is about people who live on the edge of life and death all the time, about street children defending their city from adults, desiring money and power, killing everything on their way.

Tekkonkinkreet shows power of brotherhood and unstoppable believing in Good, which reminds us to never give up.







 Hedgehog in the fog
1975
USSR
Uriy Norshteyn







It is absolutely adorable and freakingly weird at the same time, that is why, I guess, it is one of my favorites from childhood.
On the way to the Bear friend little Hedgehog gets lost in the fog where everything is scary and mysterious. The picture, music and narration makes this small movie very lyrical and touching.
 And, as wikipedia says: Hayao Miyazaki considers Yuriy Norshteyn "a great artist" and cited Hedgehog in the Fog as one of his favorite animated films!




Adorable несуразній еж

                                         Written by an EVS volunteer. Project financed by


 @ arrotante do momento!:
ANNA Ola! My name is Anna. I come from Ukraine, wonderful country in eastern Europe. I love to dream and fantasize, that is why I read a lot, watch movies and while travelling I try to find interesting and unusual places.

sexta-feira, junho 12, 2015

PERU – Nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma aqui e agora!

Senhorita! Uma menina que vá ao Peru fica com esta palavra a ecoar na cabeça, de tanta vez que assim é chamada. E que bom que é… Aos quatro meses a palavra saudade ganha forma, surge para materializar qualquer coisa que acompanha a novidade, o hábito do novo e a necessidade do habitual. É um animal em estado de estimação, que se diverte com rotinas como ser chamada de Senhorita, todos os dias, dezenas de vezes! 

O Peru tem nome de ave, espirito selvagem e muita história para contar. Se tivesse de escolher uma palavra para o descrever diria: Pérola! Uma pérola arqueológica, geográfica, gastronómica, cultural. Arte milenar. Sabedoria popular. Património da Humanidade. 


Comecei por Lima, uma capital que das muitas qualidades que tem eu não lhe deslumbrei nenhuma. Tanta é a confusão, o barulho e o atropelamento que se vive por lá. A seguir desci às profundezas do Canyon de Colca, em Arequipa, numa caminhada de 4 dias tão exigente, quanto inesquecível. Rumo ao sul, foi na fronteira com a Bolívia que encontrei o lago Titicaca, que embora de águas frias, me recebeu de braços quentes em suas aldeias particulares. Subi ao Machu Picchu, a imperdível cidade perdida. É magnificamente deslumbrante! E para terminar desci à selva e deixei-me levar nas águas do rio Madre de Dios. Descobri comunidades nativas e senti na pele que o bicho mais perigoso da selva é o mosquito. 

Foi nesta aventura de altos e baixos que a boca cheirou a comida caseira. A sopa com vários tipos de batata. A bife frito com alho. A queijo de cheiro forte. A pão adocicado. A chicha morada, um refresco de milho. No Peru come-se muito bem e barato, o estômago e a carteira agradecem…
A mente saboreia o que é cultural, típico, consequente. A viajem de mula, a venda das folhas de coca, as mantas e os chapéus característicos de cada região, a alpaca como imagem de marca (no bife, na camisola de lã ou a passear no meio de Cusco), as saias e o folclore. O campo na cidade. A cidade na selva. 


 Os olhos vivem as cores da geografia. Na costa, o azul escuro do Pacífico encontra o ouro do deserto, em linhas imensas de luz, sombra e infinito. No centro a montanha mostra-se imponente em tons de verde, branco e azul de céu. A montanha fala no silêncio do vento, a montanha convida a descida e a subida ao profundo, a montanha tem o tamanho que tu consegues ver! A selva é verde quente, é terra que transpira, é música na corrente infinita de um rio… 

Perante isto tudo as saudades são controversas. São desejos e anseios. Desejos de conversar com amigos. Anseios de abraços, de braços conhecidos. O tempo para matar essas saudades está a chegar, é finito. A controvérsia surge porque serão sempre mais longas as saudades do dia de hoje, do momento em que sinto estas palavras e as escrevo neste texto. Em questão de saudades, as que projeto no futuro, são infinitas. E entre pensamentos e sentimentos nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma aqui e agora! 






 PARAGENS ANTERIORES: Costa Rica | Guatemala | México

 @ arrotante do momento!:
JOANA Há 27 anos que quando chamam por Joana, eu respondo. Acredito que pouca coisa acontece por acaso e gosto de escolher o caminho que piso. Entre os deportos de aventura, o desenvolvimento comportamental, o turismo e a psicologia tenho passado boas experiências e aprendizagens.. Acompanha a restante viagem em Ladybug in Latin America

quarta-feira, abril 08, 2015

Now I Walk into The Wild...Dolomites



There is a pleasure in the pathless woods, there is a rapture on the lonely shore, there is society, where none intrudes, by the deep sea, and music in the ITS roar: I love not man the less, but Nature blackberries.
Lord Byron



Few months ago, while I was rearranging shelves of my room, I came across a book that I didn't remember to have: Into the Wild, by Jon Krakauer. For those who didn't have the opportunity to read it (i highly recommend to do it), the book tells the story of Christopher McCandless, a young American boy, who finished the university and decided, unbeknownst to the family and his friends, to take a long journey into nature abandoning civilization and running away from a consumerist and capitalist society in which no longer bear to live.
I don't know whether it was the cover image to appeal to me or the fact that I didn't want to re-order anymore, but in a few minutes I was sitting on the floor, completely absorbed in my reading, and after a day, book finished, I wanted to have a backpack and set off immediately. 

Because the feeling you get after experiencing Christopher and his story is this, you can not help but reflect and a question arises: what is my relationship with nature? I would be able to fully immerse myself in it, only live life, at that time in that place, no phones, no internet, nothing, just snow-capped mountains, rivers, starry skies, just me in the wilderness?

The case wanted that in that same period me and some friends were planning summer vacations and it seemed a good time to take up the challenge and take advantage of those ten days, free from university exams and work, to experience something different, not the usual holiday with all the comfort and technology always at hand, but something more lively, away from the monotonous security to which we are used and closer to an unconventional adventure. 

Once the friends were convinced, the choice of location was easy: what better place of Trentino-Alto Adige and its Dolomites? Set of mountain ranges located in northeastern Italy, the Dolomites offer to their visitors a number of hiking paths called “Alte Vie”, which have a historical, geographical and cultural valency. Our choice fell on the Alta Via number two that comes from Bressanone to Feltre for a total of about 185 km, a total climb of 11,000 meters and 6 mountain ranges crossed, not exactly Christopher's Alaska, but a nice challenge!

Now, ignoring the details about the preparation, the trip , about how hard it was to put up a tent in the middle of a storm on the top of a mountain, or climb a rockface with a backpack of 16kg on the shoulder, I believe that reducing life to essentials, free from the burden that we have in excess, not only the material one but also mental and emotional stress, let it go and live everyday under a new and different sun, is a really great feeling. At first, of course, it will seem strange and unsettling, set off with no certainty can be scary, but once taken the first step there is nothing more beautiful and inspiring.

Because in today's world, with frenetic rhythms , in which the imperative is to have everything at once, in which we can no longer do without the technology and all the comforts that, imperceptibly, change our lives and limit our skills, where it's becoming difficult  even finish a meal without having checked the phone and the dialogue and relations with people are minimized, immerse themselves in nature is a choice not only radical, but also beneficial and necessary, if we want to remind where we come from and what we are actually able to do,  to understand better  ourselves and the environment.

Let's think about it, try to spend a day or even just a few hours into the nature and for sure it will know how to repay you. I leave you with this words, found written on the door of one of the shelters that hosted us in Trentino and that I find incredibly true:
Ask me why I go to the mountains. Ask me why, when the rest of me is tired, the only way is the path.

Why?
Because in the mountains you can not waste your breath for useless words. You have to keep them to get to the top, there is only space for silence or kind words.
Because the only weight is the backpack. There is no burden on the heart.
Because everyone, if they wish, can get to the top. Just step by step.
Because meet people who find a moment to say hello.
Because there are no frills: just you and your body, you must love it if you want to have the forces. There is the sky with his moods. Do not mess with the rain, wind, snow or night. You must be very careful, and return to the primitive stage in which nature and her movements were part of your life, an integral part of your daily life. You can not snub the nature, in the mountains: it pulls you by the sleeve, asking you to look at it, study it, to be present.
In the mountains you can and you have to be yourself, no distractions.
Maybe that's why, over many peaks, mobile phones and internet work in fits and starts ... it is nature that says, "Let it go, let go the superfluous. Stay with friends. Stay with animals. Stay with yourself. You don't need anything else. "




@ arrotante do momento!:
MARTINA

Martina, 23 years old, Italian.
Aspiring social educator, calm, dreamer, lover of music, nature and outdoor life, but especially addicted to travel and to everything that allow us to make new experience. I found myself dreaming of being elsewhere..why, however, do not go there?