quinta-feira, setembro 25, 2014

As aventuras do grupo português no intercâmbio "Discover the European Common Story', em Debrecen (Hungria)"

 Há participantes que nos deixam testemunhos sobre projetos vivenciados, outros que nos relatam transformações na sua vida pessoal por causa desses momentos e ainda outros que nos transportam com eles para o local de imensas aventuras. Foi o caso da Edite, que nos trouxe uma crónica sobre a viagem do grupo português no intercâmbio "Discover the European Common Story", em Debrecen (Hungria), que terminou no passado dia 19. Leiam e descubram porque é que um intercâmbio se torna numa aventura:


"Viajar é sempre bom. Vemos caras novas, lugares diferentes ou passados na nossa memória. Os cheiros são estranhos e a língua pode ser um grande desafio.

Desta feita, a aventura seria em Debrecen na Hungria (a segunda maior cidade do país). Antes de partir o grupo português conseguiu reunir-se aos poucos na sede da Rota Jovem para fazer os preparativos e compras. Afinal, teríamos que fazer uma pequena apresentação sobre Portugal, um conto tradicional, jogos e um jantar português para 30 pessoas! As quantidades de comida foram um pouco difíceis de calcular, mas a escolha caiu inevitavelmente no bacalhau, desta vez, à Brás.

Todos reunidos no aeroporto entrámos no avião e fomos até ao nosso destino. O projeto só começaria no dia seguinte à tarde, pelo que guardámos o tempo que tínhamos para visitar Budapeste. Nessa noite decidimos que iríamos a algum lugar ver o que a noite nos oferecia enquanto as nossas malas ficavam nuns cacifos no centro.
Chovia a potes e para o nosso espanto não conseguíamos comprar chapéus de chuva em lado nenhum. Gastámos alguns florins para comprar umas pizzas e jantámos enquanto chovia lá fora.
Para aproveitar a noite fomos até a uma discoteca, que funcionava em vários andares de um prédio, a Simpla. Mas não era nada parecido ao que já tinha visto antes. Luzes, música, multidões, humidade no ar, salas labirínticas, esculturas e pinturas intrigantes em todo o lado. Passamos lá algumas horas e logo decidimos voltar a estação para tentar passar a noite.
Algum tempo depois uma polícia acordou-nos com palavras que não percebíamos e a frase 'this is primitiv!' de uma forma agressiva. Fomos comprar os bilhetes para o comboio que nos levaria finalmente a Debrecen, mas na hora de partida o comboio estava superlotado e não tínhamos reservado os lugares por falta de indicação da pessoa que nos vendeu os bilhetes.. Apanhámos o comboio seguinte e em poucas horas chegámos ao destino.

O lugar do intercâmbio era um parque de campismo ao pé de um lago e floresta. Dormiríamos em bungalows de 4 pessoas. Na primeira noite fomos conhecendo os ucranianos e húngaros enquanto os italianos e romenos chegavam. Foi uma noite agradável à volta da fogueira como as outras que se seguiriam.

Nos dias seguintes trabalhámos nos contos tradicionais que tínhamos preparado nos nossos países, a história da Padeira de Aljubarrota, não nos deixou mal.

Cada noite um país tomava conta da comida e animação, na nossa noite intercultural conseguimos cozinhar em equipa na fogueira, apesar da chuva. Uns cortavam cebola, outros faziam o fogo, outros desfiavam o bacalhau,...
O menu era:

Bacalhau à Brás e devida variante vegetariana (alho francês à bras)
Chouriços e farinheiras assadas
Leite creme (que descobrimos não ser muito fácil de se fazer na fogueira...)
Salada
Vinho do porto, ginjinha e groselha com limão para beber

Depois do esforço, a comida caiu bem a todos e de seguida fizemos um quizz ativo sobre Portugal, dançámos e cantámos...

 Os dias seguintes foram salpicados por team buildings, sessões de yoga, voleibol, idas ao lago e saltos no trampolim. Nas horas do projeto trabalhámos em pequenos grupos para criar contos baseados nas histórias iniciais criando 'The european common story'. Quatro grupos trabalharam a diferentes velocidades, surgiram várias ideias interessantes e originais que testaram as capacidades de trabalho dos grupos multiculturais, pois tinhamos que fazer uma história, um guião, construír as marionetes e preparar tudo para a apresentação final para um público, com nervos e improvisações como é normal acontecer.

O sol saiu e de repente já era o último dia do intercâmbio... Tínhamos partilhado experiências, conhecido pessoas novas e diferentes, aprendido aspetos sobre cada cultura e aberto a ideia de voltar a participar num projeto assim.

Na última noite comemos o famoso Goulash (sopa de carne) típico da Hungria. Partilhámos as nossas opiniões sobre o que tinha acontecido naquela semana fora do nosso dia-a-dia, várias opiniões e emoções diferentes marcaram os participantes.

Entretanto descobri que existem dois tipos de pessoas:
As que vão voando como moscas para o ponto de wifi do campismo e as que ficam para trás passeando e falando no tempo livre.

Apanhamos a Van, o comboio, autocarro, dois aviões e cedo estávamos em casa. Assim passam depressa, estas experiências marcantes. Deixando conhecimentos e amizades.
Então, porque não?"


 

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